Entrevista ao capitão Marcos Leni
A cumprir a nona época de futsal, o percurso de Marcos é um claro sinal de longevidade e de enorme regularidade no panorama do Futsal nacional. Depois de 8 anos ao serviço de emblemas a disputar a 1.ª divisão nacional, e com um palmarés invejável, tais como:
• Campeão Nacional 1999/2000 Miramar
• 3.º Lugar Campeonato do Mundo Universitário 2001/2002
• Finalista vencido da Taça de Portugal 2004/2005 Fundação Jorge Antunes
• Vencedor da Supertaça Nacional e finalista vencido da Recopa 2005/2006 Boavista
O jogador vai vestir a camisola da ACR pelo segundo ano consecutivo, e desta feita como capitão de equipa, aproveitamos a ocasião para lhe fazer algumas perguntas:
Tens noção de que já jogastes ao mais alto nível no Futsal nacional, factor que te torna num dos jogadores mais valiosos a actuar no distrito de Aveiro, e o porquê dessa mudança tão radical?
Essencialmente 3 factores: em primeiro lugar e factor decisivo, a vontade demonstrada pelo Canavarro em que eu estivesse neste projecto, a sua insistência e perseverança foram determinantes para que eu aceitasse vir para a ACR. Em segundo lugar, as condições que a ACR disponibiliza a todos os atletas que envergam a sua camisola, condições essas, materiais e humanas que em nada ficam a dever ás equipas da 1ª divisão. Posso garantir que em todas as equipas onde joguei, e não foram duas nem três mas sim seis equipas do escalão máximo, que em nenhuma delas encontrei as condições para treinar e jogar como as que encontrei na ACR. Se juntarmos a isso o empenho, a dedicação e o gosto que os directores e treinadores têm pelo Futsal e pelo clube, então posso mesmo afirmar que o ACR de Vale Cambra é um clube único no Futsal Português, pelo menos do que eu conheço. Em terceiro lugar as condições que a ACR me ofereceu, para trocar a 1ª divisão nacional pelo campeonato distrital de Aveiro, condições essas que foram entendidas por mim, como suficientes para jogar num campeonato menos mediático, menos apelativo e ainda realizar semanalmente o constante vai e vem entre o Porto e Vale Cambra, muitas delas, senão quase a totalidade, realizadas sempre sem companhia.
Dos clubes que representastes ao longo destes anos qual foi o que mais te marcou, e porquê?
É difícil dizê-lo. Em todos, guardo bons e maus momentos. Sou uma pessoa que vive intensamente o que faço, por onde passo deixo a minha marca, independentemente se é boa ou má, se gostam ou não, não sou individuo de me acomodar ás situações, não falar quando algo vai mal, com receio de ser punido por este ou aquele, sei que isso já me custou bastante mas também fez de mim aquilo que sou hoje, essa é a minha maneira de estar, a minha personalidade. Quanto aos clubes, o Mocidade d´Arrábida pela época que realizamos na 1ª divisão, onde obtivemos a manutenção na última jornada (á custa do Miramar que nessa mesma época desceu á segunda divisão) com condições muito precárias, o Miramar pelo que aprendei com aqueles que agora são considerados embaixadores do futsal e pelo titulo ganho, na Fundação pelas situações vividas e pelas confusões, enganos, mentiras e decepção que representou estar e actuar naquele clube, no Boavista pelos amigos que fiz, pelas épocas realizadas, pelo titulo ganho, pela participação europeia, e a ACR que pese embora não tenha acabado esta ligação foi seguramente uma época que dificilmente esquecerei, pois quem esteve ligado desde o primeiro dia não poderá certamente esquecer este ano, tantos os obstáculos (principalmente internos) que nos foram apresentados e mesmo assim não suficientes para não obtermos uma classificação bastante honrosa.
Agora que vais assumir a função de capitão de equipa, o que tencionas fazer além de jogar, e a tua mística ganhadora vais tentar incuti-la no grupo de trabalho?
Claro que sim. È uma responsabilidade acrescida, embora na época que findou fosse um dos capitães, agora terei mais preocupações, é natural que as pessoas “exijam” mais de mim nessa função. Penso que nesta época que passou tentei fazê-lo, acho mesmo que nesse aspecto há um deficit nos jogadores de “Aveiro” face aos jogadores do “Porto”, pelo contacto que tive, pareceu-me que falta um bocado de “sangue”, de ambição e profissionalismo aos jogadores de “Aveiro”. Essa mentalidade de vitória deve existir sempre, estejas na 1ª nacional, ou na 1ª distrital, quer ganhes 10.000 ou 10, não é como para muitos uma questão de dinheiro, é isso sim a principal diferença entre quem vence e quem perde, é a mentalidade e a vontade com que disputas cada lance, de treino ou jogo, só isso te permite evoluir e ser cada vez mais forte, no desporto como na vida. Muitas vezes pode-se confundir agressividade com violência, pois é muito estreita a linha que separa estas duas características. O jogo deve ser pois limpo e honesto mas sempre disputado com raça.
Depois de na época passada não conseguires conquistar qualquer competição, porque aceitastes renovar pelo clube?
Só isso seria um motivo suficiente. O de provar que consigo vencer e conquistar títulos também aqui na ACR. Além desse factor, o de me sentir bem em Vale Cambra, de gostar das pessoas ligadas ao clube, e o de alcançar o objectivo a que me propus quando assinei pela ACR.
Até quando vamos ter o Marcos a jogar em Vale de Cambra?
Isso é fácil de dizer, até quando eu me sentir bem em Vale Cambra e as pessoas que conduzem a secção entenderem que sou útil na ACR. O acordo deste ano é prova disso mesmo, pois não precisamos de muito tempo para sela-lo. Neste momento estou convicto de que dificilmente abandono a ACR por vontade própria com o intuito de jogar noutro clube, mas estas ligações têm duas partes e eu só posso responder por uma, sendo assim, o futuro só a Deus pertence.
O que achas que esta menos bem na ACR e o que te impressionou mais neste clube?
O menos bem, penso que até foi referido pelo Presidente na entrevista que deu no site, onde apontou a fraca inter ligação das modalidades como uma questão a rever e a melhorar, e ainda a meu ver o facto de não termos uma “casa” própria, o pavilhão que utilizamos é óptimo para a prática do Futsal, mas seria uma vantagem enorme se pudéssemos utilizar o pavilhão da ACR. Quanto ao que mais me impressionou, foi seguramente a parte humana que compôs a secção de futsal, técnicos, directores e massagista. Eles foram o grande suporte para a época que os jogadores conseguiram efectuar, nunca deixando que faltasse nada, auxiliando, motivando e apoiando sempre a equipa, especialmente nas alturas difíceis vividas.
Uma mensagem aos adeptos da ACR Vale de Cambra.
Que continuem fiéis á equipa, e que apareçam cada vez em maior número aos jogos, sabemos que temos a responsabilidade de os “chamar”, apresentando jogos com maior qualidade, por isso tudo faremos para realizar jogos atractivos e que dignifiquem o nome do clube. Peço-lhes que nos apoiem e confiem no trabalho desenvolvido, semana após semana. Acredito que todos os clubes, associações ou colectividades vivem do que os seus sócios, simpatizantes ou apoiantes querem que o clube seja, serão sempre eles o coração do clube.
Força ACR
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